quinta-feira, junho 29, 2017

Hysterics


Hysterics é uma banda de punk/hardcore de Olympia, formada em 2010. A banda tem dois EPs, o primeiro, homônimo, lançado em 2011 e o segundo "Can't I Live" lançado em 2014. A música do Hysterics é uma resistência ao sexismo e uma exploração à complexidade de ser consciente da lavagem cerebral corporativa moderna.Tudo isso com o vocal gritado e raivoso de Stephie Crist. A banda já foi citada por Kathleen Hanna como uma das suas preferidas! Infelizmente, Hysterics já acabou, hoje em dia, existe uma outra banda composta por mulheres também com esse nome, mas que faz um som grunge. 

Hysterics era composto por: Stephie (vocal), Adriana (guitarra), Jessica (baixo), e na última formação por Matt (bateria). O bandcamp da banda foi excluído, e só consegui encontrar esse site para escutar os dois EPs delxs. Alguma coisa que eu achei no youtube vocês podem conferir logo abaixo!

quarta-feira, junho 28, 2017

Melyra


Melyra é uma banda feminina de heavy metal oitentista formada por Verônica Vox (vocal), Fernanda Schenker (guitarra), Roberta Tesch (guitarra), Helena Accioly (baixo) e Ana de Ferreira (bateria). Desde meados de 2012 as meninas fazem um som direto e sem frescuras mas com muita técnica que vem se destacando no underground carioca. O primeiro lançamento da banda foi o EP "Catch me if you can", de 2014 e em 2015 foi lançado o single "Run and Burn". Após uma pequena pausa a banda volta a ativa com nova formação e atualmente estão divulgando o single "Living and Drifting", gravado para o álbum "A New Lease Of Life" (um tributo ao cantor Edu Falaschi). 

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Youtube (tem diversos vídeos super bem produzidos, ao vivos e aqueles vídeos com as letras das músicas!)
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Klitores Kaos



Klitores Kaos é uma banda crust punk, criada em 2015 na cidade de Belém/PA. A banda foi formada pela vocalista Luma Josino e pela baterista Débora Mota, com o intuito de trazer uma representatividade feminina no meio musical do HC/Crust paraense. Com a ideologia "Faça você mesmo", influências em Doom, Náusea, Bikini Kill, Menstruação Anárquika, entre outras o K.K busca repassar a sua temática de cunho politizado, com letras feministas, anti-fascistas, revolucionarias e com criticas exacerbadas ao sistema opressor, formando um som sujo, pesado e extremamente cru. A formação atual conta com Grace (vocal), Nianne (guitarra) e Debby (batera).

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segunda-feira, junho 26, 2017

Scatha


Admito que sou uma cria do punk rock e afins, mas se tem um gênero do metal que eu curto meeesmo, é o Thrash Metal, e hoje quero falar sobre uma banda brasileira que faz isso muito bem, totalmente inspirado no thrash metal tradicional: Scatha.

Scatha é uma banda do Rio de Janeiro idealizada em 2005 por Cintia Ventania e Julia Pombo com influências das clássicas bandas do thrash metal, Exodus, Megadeth, Metallica, Anthrax, Slayer e Sepultura. Em 2007 a banda lançou o EP "Keep Trashing" e agora em 2017 foi lançado o full album "Take The Risk". O grupo passou por algumas mudanças na formação e hoje conta com Lenhador (vocais), Julia Pombo (guitarras), Cintia Ventania (baixo) e Cynthia Tsai (bateria).

Escute!

Keep Thrashing (2007)

domingo, junho 25, 2017

The Shorts



The Shorts é uma banda de rock alternativo com influências de noise rock, shoegaze, soul e girl power, idealizada no início de 2014 em Curitiba pela vocalista Natasha Durski e a baixista Andreza Michel. Além delas a banda é formada por Babi Age na bateria, Taís D'Albuquerque e Daniel K. nas guitarras. Em três anos de existência, a The Shorts já circulou pelo Brasil, abriu o show da norte-americana Unknown Mortal Orchestra e dividiu palco com Mercenárias (SP), Mac DeMarco (Canadá), Death (EUA) e O Terno (SP). Escute o primeiro álbum da banda, "Dawn".

segunda-feira, junho 19, 2017

3D

3D (à esquerda formação original e à direita formação atual)
3D é uma banda feminina formada em meados dos anos 80 na cidade de Porto Alegre, na época, lançaram duas fitas cassetes pelo selo Vórtex com Polaca (vocal), Neca (baixo), Vera (bateria) e Ana (guitarra) e se parasse por aí já teria sido f*da demais, por ser uma banda feminina, de punk rock, com muita atitude em uma época na qual isso não era tão comum. Porém quase 30 anos depois, a banda volta à ativa, com a vocalista original acompanhada por nomes de peso do rock feminino gaúcho, Júlia Barth (Replicantes),(que substituiu Mary O, recentemente) no baixo, Liege Milk (Medialunas, Hangovers, Girls Rock Camp) na batera e  Letícia Rodrigues (Girls Rock Camp) na guitarra. Espero ansiosamente uma oportunidade para assisti-las ao vivo ♥

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Oldscratch


Oldscratch é um trio de punk/grunge feminista da cidade de Maceió - AL. A banda é formada por Melinna Guedes (voz e guitarra), Julie Moura (baixo) e Gabriela Santos (bateria) e está na ativa desde 2012. Escute o álbum "Padrões de Conserva", lançado em 2016 para dar uma sacada no som das minas. 

domingo, junho 18, 2017

Mosh Like a Blasfemme (Compilação)


A Underground Blasfemme em união com o Coletivo Mosh Like A Girl, lançou recentemente a coletânea MOSH LIKE A BLASFEMME, com músicas das bandas Anti Corpos, Nuclear Frost, Losna, Tempos de Morte, Mórficos, Socialphobia, Black Witch, Manger Cadavre?, Arandu Arakuaa, Demolition, Enterrados de Forma Banal, Oldscrath, Sakhet e Miasthenia. Todas as bandas fazem parte do underground nacional e contam com representantes femininas em sua formação. A compilação é um grito contra o machismo da "crentelhada" enrustida na cena. Cada CD custa R$ 5,00 + o valor do frete (para as cidades: Vitória da Conquista / Brumado - Bahia a entrega pode ser feita pessoalmente). Interessadxs entrar em contato com Bianca de Novais, Brenda Moraes ou Louise Oliveira .


sexta-feira, junho 16, 2017

Faça Você Mesma - Filme

Faça Você Mesma é um documentário de longa metragem que busca pelos desdobramentos do movimento punk feminista Riot Grrrl a partir da trajetória de mulheres que foram e são atuantes na cena brasileira, e em paralelo resgata a história do movimento através de imagens de arquivo de diferentes épocas e entrevistas com diferentes mulheres que viveram na cena punk desde a década de 90. 
"Nós somos produtoras de conteúdo audiovisual e nos unimos para fazer este filme, pois estas histórias também são as nossas histórias. Sabemos da importância que este movimento e estes eventos tiveram na vida de muitas e queremos dar continuidade a um projeto que acreditamos."
O documentário está sendo produzido desde maio de 2016 e já conta com mais de 20 entrevistas porém as produtoras precisam de mais verba para finalizar o projeto, qualquer pessoa pode contribuir com o valor que preferir, as contribuições são recompensadas e vão desde o seu nome nos créditos do filme, um Kit com raridades do Riot Grrrl brasileiro, ingressos para shows e muito mais. Para ter mais informações e ajudar clique aqui! 

Página no facebook "Faça Você  Mesma - Filme"

Assista o teaser!

quarta-feira, junho 14, 2017

Manger Cadavre?


Manger Cadavre? é uma banda de hardcore/crust formada na região do Vale do Paraíba em São Paulo, em 2011. O som pesado, cantado em gutural pela vocalista Nata de Lima, tem o objetivo de problematizar questões cotidianas e lutar pelo fim da exploração. Além de Nata (vocalista), Manger Cadavre? é composta por Marcelo Augusto (guitarra), Marcelo Kruszynsk (bateria) e Jonas Godói (baixo). A banda já tem uma longa e produtiva trajetória no underground brasileiro, no primeiro ano de atividade lançaram dois singles "Existimos" e "Sua Justiça", e em 2013 foi lançado o primeiro EP "Origem da Queda". Em 2016 foi lançado o segundo EP "Senhores da Moral" e nesse ano, 2017, saiu o trabalho mais atual da banda,"Revide", também no formato EP.

Assista o vídeo clipe da música "Bruxas da Noite", lançado há menos de um mês! 

Street Cats



Do Rio de Janeiro vamos para o Rio Grande do Sul,  mais precisamente para minha terrinha, Pelotas, cidade que acolhe o duo Street Cats. Formado por Giana Cognac e Giuliano Jack Strat,  que também são um casal fora dos palcos. A banda foi idealizada na lua de mel deles, em 2014. Desde então foram dois EPs lançados, "Fuck It" (2015) e "WTF" (2016), cheios de influência dos anos 90, noise, alternativo e grunge tocados de uma maneira despretensiosa, crua e suave ao mesmo tempo. O último lançamento da banda foi o curta metragem musical VHS Diaries 01 - Street Cats (confira abaixo) produzido pelo coletivo Bill Nipples. Sou suspeita para falar desse duo pois já sou fã há anos da Gi, devido ao seu trabalho à frente da Badhoneys, além disso, conheço esse casal pessoalmente e sei que além de talentosos são muito queridos e simpáticos. ♥ Deixarei que a música fale por si só, escute "WTF". 

terça-feira, junho 13, 2017

LuvBugs



Dando continuidade a série de postagens sobre bandas brasileiras com minas na formação que estão agitando o cenário independente, hoje apresento para vocês o duo carioca, LuvBugs que é formado por Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz). Eles tocam um indie alternativo, cantado em português que mistura melodias doces e ritmos cativantes com a distorção proveniente do noise-rock.

A banda foi formada em 2012, ano em que lançaram um EP homônimo, desde então foram mais dois álbuns, Coração Vermelho (2014) e Enxaqueca (2015). O último lançamento do duo foi o vídeo da música "Perder Sentido" (confira abaixo) que fará parte do novo álbum,"Dias em Lo-Fi". 

segunda-feira, junho 12, 2017

Catillinárias

Estamos vivendo um ótimo momento para as bandas independentes no país e as mulheres estão cada vez mais presente nessa cena. Não falo só por falar, pois de 2010 pra cá (ano em que criei o blog) muuitas coisas mudaram, o feminismo que antes era um bicho-de-sete-cabeças agora está na boca de todo mundo e até canal de TV aberta começou a tratar do assunto. (quanto a maneira que estão fazendo isso, se está certa ou não, há controvérsias!) Mas verdade é, que essa popularização do feminismo fez também muito bem para nós mulheres deste país, não tenho dados comprovados mas parece que aumentou MUITO a participação das mulheres na música, tocando, compondo, mostrando suas ideias. Isso tudo é muito amor ♥ E é por isso que vou inaugurar uma série de postagens só com bandas brasileiras, com mulheres na formação e em atividade nos dias de hoje. Estreando com a banda carioca de riot grrrl, Catillinárias!


Catillinárias 


Para começar, escolhi falar dessa banda que realmente não sei porque ainda não havia aparecido por aqui. CATILLINÁRIAS é um trio de punk rock riot formado no Rio de Janeiro em 2010. Em 2012, tive a honra de participar da primeira edição do Festival Roque Pense (com a banda She Hoos Go) e logo ao chegar já fiquei empolgada com a performance da banda, parecia que eu estava nos anos 90, assistindo uma autêntica banda de riot grrrl. No som delas, é possível distinguir influências de bandas como Lunachicks, Bikini Kill e L7. A ideia que elas querem passar também é total riot grrrl, uma das músicas mais conhecida da banda, Cytotec (medicação usada para causar aborto), é uma crítica à maneira como a descriminalização do aborto é tratada no Brasil. 

sexta-feira, junho 09, 2017

10 musicistas QUEERs que você precisa conhecer!

Certamente não podemos falar sobre feminismo sem também falar sobre a comunidade LGBTQ (Lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais e queers). Há algum tempo atrás eu fiz uma postagem com o documentário "Queercore- Searching for queer music in San Francisco".  Além disso, muitas bandas e artistas icônicas para o movimento já apareceram por aqui como Bikini Kill, Beth Ditto e Joan Jett.E hoje então, irei apresentar a vocês (caso ainda não conheçam!) 10 musicistas queers que estão fazendo barulho atualmente na cena musical "gringa". (Estou aceitando sugestões de artistas, musicistas e bandas queers brasileiras para criar um post especialmente dedicado ♥) Sem mais demora, vamos a lista!

BETH DITTO (The Gossip)


Muitos quilos de talento, ativista, feminista, lésbica, Beth Ditto é uma diva, foi vocalista da banda The Gossip, que acabou em 2016 e atualmente em carreira solo, lança o álbum "Fake Sugar" neste mês (escute "Fire" single do álbum). Ditto já posou nua e tem sua própria linha de roupas plus-size. Gente, essa mulher é um tapa na cara da sociedade! ♥

TODAS INTEGRANTES DO SLEATER-KINNEY


Após seis anos de hiato, a banda que tem muitas seguidoras lésbicas, lançou "No Cities To Love" em 2015. Aqui no Brasil elas são mais conhecidas entre as minas que curtem riot grrrl e bandas femininas de rock alternativo. Eu já sou fã da banda há anos, inclusive em 2010 elas apareceram por aqui . Pra quem ficou curioso para escutar o novo álbum do trio pode conferir no Youtube. (o rosto da guitarrista Carrie Brownstein lhe parece familiar? Deve ser porque ela protagoniza a série de TV "Portland") 

LAURA JANE GRACE (Against Me!)

Conhecida por ser a fundadora, vocalista, compositora e guitarrista da banda de punk rock Against Me! Laura é uma mulher transgênero que ao se assumir e lançar o álbum "Transgender Dysphoria Blues" trouxe uma onda de "trans-positividade" à toda comunidade trans que sentiu-se representada na música popular. 

domingo, junho 04, 2017

The Muffs

A primeira vez que escutei a música "Lori Meyers" do NOFX e começou aquela parte "Who the hell are you to tell me how to live? You think I sell my body; I merely sell my timeI ain't no Cinderella, I ain't waiting for no prince to save me in fact until just now I was doin' just fine, and on and on..." foi amor a primeira vista por aquele vocal feminino e foi então que descobri Kim Shattuck e o The Muffs, banda que irei apresentar hoje aqui!


The Muffs é uma banda de punk rock / pop punk formada no sul da Califórnia em 1991. A vocalista, guitarrista e compositora é Kim Shattuck, que antes já havia feito parte da girl band The Pandoras e já fez participação em diversos projetos com bandas como The Beards, Pixies White Flag e NOFX (música citada acima, do álbum Punk In Drublic). Além dela, a banda atualmente conta com Ronnie Barnett no baixo e  Roy McDonald na batera. Bom, sou suspeita para falar da banda, amo o vocal da Kim e me inspiro muito nela para cantar e compor. Desde os anos 90 a banda gravou seis álbuns de estúdio, sendo o último de 2014. Abaixo a discografia com links para escutar no youtube.

sábado, junho 03, 2017

Las Otras



Las Otras é uma banda punk feminista da cidade de Barcelona. As integrantes, que antes de se conhecerem sempre se viam nos shows, uniram-se pela sua afinidade política: todas se identificam como anarquistas e feministas. Sendo assim o foco é a ideia que elas querem passar e cada letra é discutida por horas entre elas. Mas a música não fica para trás, o som é um hardcore/punk direto, sincero e raivoso, cantado em espanhol pela Ieri, ex- vocalista do Bulimia (confira a entrevista com Iéri!). Recomento muitíssimo!!


Confira abaixo o som das minas, do LP "Devolver el Golpe" de 2013. 

quinta-feira, junho 01, 2017

Punk Rock não é só pro seu namorado: Entrevista com Iéri (Bulimia)

Hoje quero compartilhar com vocês uma entrevista realizada pelo projeto We Are Not With The Band com Iéri, vocalista de uma das bandas mais significativas do riot grrrl brasileiro, Bulimia

Mas vamos por partes, primeiro eu gostaria de explicar o que é esse projeto, que quando vi o nome já achei genial. WE ARE NOT WITH THE BAND é um projeto multimídia que busca divulgar e empoderar as mulheres na música. O principal objetivo é desmistificar a ideia que as mulheres apenas são as namoradas,acompanhantes, fãs/groupies dos elementos de uma qualquer banda. Daí o WE ARE NOT WITH THE BAND (nós não estamos com a banda). As mulheres, cada vez mais, SÃO A BANDA. Além da entrevista que vocês vão conferir aqui, no site do projeto tem várias outras com musicistas brasileiras cheias de talento e atitude. 

Agora vamos a entrevista com Iéri (Bulimia) ♥ Selecionei algumas perguntas que Iéri fala mais sobre o Bulimia, feminismo e a questão da mulher na música. A entrevista completa pode ser lida aqui


Parte fundamental do cenário riot grrrl brasileiro, Iéri Luna cofundou o Bulimia, banda punk brasiliense composta apenas por mulheres e que explorava questões relacionadas a violência e machismo, na década de 90. O vocal rasgado e estridente, eternizado em músicas como “Punk rock não é só pro seu namorado” ou “Nosso corpo não nos pertence”, era o grito de uma garota buscando não apenas visibilidade, mas espaço em um cenário completamente dominado por homens.


O único álbum da banda, “Se julgar incapaz foi o maior erro que cometeu” (2001), marcou também o fim do projeto e é precedido apenas por algumas gravações caseiras. Dias antes do lançamento do disco, a morte da baterista Berila Conceição, afogada em uma cachoeira na Chapada dos Veadeiros, cortou o clima para o prosseguimento da banda, que já andava abalada por divergências internas.

                                            Iéri, 39 anos - Brasília, DF


Hoje, aos 39 anos, Iéri se define como feminista e anarquista. Graduada em Jornalismo, enveredou-se pelo caminho da saúde e da medicina chinesa. Atualmente, trabalha como acupunturista e começou a estudar fisioterapia. Iéri morou na Espanha por 12 anos, onde se envolveu com projetos políticos relacionados com o movimento okupa e com o anarquismo em geral. Tudo isso sem deixar a música de lado: durante boa parte do tempo em que esteve em Barcelona, foi integrante da banda punk, feminista e anarquista Las Otras e, durante alguns períodos, tocou baixo nas bandas Peste, Fossa Comum e Fome. Enquanto o Bulimia foi o pontapé inicial de Ieri na música e no feminismo, o Las Otras foi onde, finalmente, teve a oportunidade de se realizar política e sonoramente. Aproveitando o seu recente retorno para o Brasil, conversamos com ela sobre todas essas coisas:


M.: Como o Bulimia começou?
I.: Eu já conhecia o movimento riot grrrl porque tinha vindo de um intercâmbio nos Estados Unidos. Na época, eu já escutava punk rock e hardcore, e a banda que me introduziu mesmo no feminismo foi o Bikini Kill. E o maior impacto que Bikini Kill teve na minha vida foi me fazer pensar “cara, quero ter uma banda pra poder falar dessas coisas”. 
Cheguei aqui determinada, com a vontade de montar uma banda de meninas, e eu não sabia tocar nada. Eu tinha, sei lá, 16 anos. Então conheci a Bianca [Martim] e ela já tocava guitarra há alguns anos e sempre foi empolgada para montar uma banda. O feminismo era uma questão que a gente discutia na banda e, por isso, Bulimia era “banda feminina” e não “banda feminista” em todos os panfletos que a Bianca fazia. Ela fez todo o trabalho de divulgação, mandou nossa fita demo para todo o Brasil e foi isso que com certeza ajudou naquela época. A internet era meio incipiente, não era uma coisa comum ir lá e baixar um disco, você tinha que pedir a fita pelo correio, recebia a demo, era todo um esquema assim.
A grande dificuldade foi encontrar uma menina que tocasse bateria. Aí a Bianca conheceu a Berila e ela falou desse projeto e, por sorte, ela entrou. Ela era de longe a que mais tocava, foi uma pessoa fundamental. Mas a questão ideológica era sempre um pouco complicada. A Silvia [primeira baixista] tocou dois shows, mas ela não se sentia muito confortável em tocar e tal, então a gente chamou a Naiana e a banda rolou.