segunda-feira, julho 29, 2013

PJ Harvey, a mulher que matou o silêncio - Rid Of Me

Desde que fui apresentada a esse álbum - Rid Of Me - e mais precisamente a essa mulher - PJ Harvey - me encantei tanto que achei justo fazer alguma resenha sobre ele ou escrever algo sobre ela, porém acabei esquecendo e hoje, enquanto procurava alguma coisa encontrei um texto sobre esse disco e gostaria de compartilhar aqui (mas ainda quero conseguir encontrar palavras para descrever da forma mais real o que sinto quando escuto essas músicas e com certeza postarei aqui no blog). Obs.: qualquer estranheza ao ler o texto não é mera coincidência não, ele está em português europeu. 


PJ Harvey - Rid Of Me
Cuspir o coração.

Polly Jean, a mulher que matou o silêncio. De joelhos. Este é o seu grito em tom de desespero! O amor sem soluços perante o de contos de fadas. O vencedor é previsível. Demais.

Como explicar a demência? A sanidade não é aqui, nunca foi. E ninguém nunca quis saber! Fúria em bruto, abismos do desejo, dosagem de raiva, drogas injectadas na fragilidade das vítimas... Ao fim ao cabo grita-se mais do que se pensa. Quem não ama adoece e quem ama também.

Polly, cospes o coração! Pedes auxílio sem quereres, no fundo, ser resgatada. Ordenas que te amem. Escolhes uma personagem, disfarças as feridas no discurso e ordenas que te amem. Com urgência.Não vou ser eu.

Já não há chão, o chão foi-se. Calas-te e apenas ouves a ausência das palavras desacreditadas, do sangue que fervia no corpo fraco em convulsão, do espasmo dos pensamentos - no plural. Esperas alguém chegar. O amor é cego. Doentio. Nos instantes em que te elevas altiva, enfrentando a submissão, quase vacilas. Continuas a pedir "por favor" em modo repetição. Ainda não está escuro lá fora, mas onde mora a obsessão é noite. Sempre. Recortas a sensualidade em ti, enquanto mulher, e apenas te sobra a voz. É ela a tua arma.

Riscas na vida vários dos momentos que escreves mas apenas guardas aqueles que te riscam para sempre. A mim só te peço que me sufoques com a tua realidade ideal, me sigas e me arrastes deste texto fora. Escrevi uma canção sobre a definição de loucura que nada mais é que um sinónimo de ti.


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